Novo tratamento para câncer de bexiga reduz risco de morte em até 25%

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo regime terapêutico para o câncer de bexiga que pode reduzir o risco de morte em até 25%. A nova abordagem une imunoterapia com quimioterapia antes da cirurgia, seguida de tratamento isolado com imunoterapia após a operação. O protocolo mostrou resultados promissores e representa um marco importante no tratamento do tipo músculo-invasivo da doença — responsável por cerca de 25% dos casos no Brasil.

O tratamento combina o imunoterápico durvalumabe à quimioterapia neoadjuvante, realizada antes da cistectomia radical (remoção completa da bexiga), seguida da administração do durvalumabe em monoterapia. É a primeira vez que uma combinação desse tipo demonstra melhora significativa na sobrevida dos pacientes.

Segundo o oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer, o câncer de bexiga músculo-invasivo é altamente agressivo, com metade dos pacientes apresentando risco de metástase. Mesmo após cirurgia e quimioterapia, cerca de 50% dos casos evoluem com recidiva da doença.

A aprovação se baseia nos resultados do estudo de fase 3 “NIAGARA”, apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) e publicados na New England Journal of Medicine. A pesquisa revelou que 82,2% dos pacientes tratados com o novo regime estavam vivos após dois anos, contra 75,2% dos que receberam apenas a quimioterapia padrão.

A médica Karina Fontão, diretora da AstraZeneca no Brasil, destacou que essa é a primeira aprovação de um regime de imunoterapia perioperatória para o câncer de bexiga músculo-invasivo. “Os dados reforçam o potencial da imunoterapia também nas fases iniciais da doença, quando ainda há possibilidade real de cura”, afirmou.

O perfil de segurança do tratamento também foi considerado favorável. A inclusão do durvalumabe não elevou os efeitos colaterais a ponto de comprometer a cirurgia ou levar à suspensão do tratamento.

“O novo regime representa uma fatia a mais de cura e esperança para os pacientes, melhorando o que antes era considerado padrão ouro”, concluiu Maluf.

 

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Fonte: CNN Brasil

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