Um estudo internacional apresentado no Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) 2025 revelou que a inteligência artificial (IA) pode elevar em 22% a precisão no diagnóstico de câncer de mama. Além disso, a tecnologia reduziu em mais de 25% a taxa de casos classificados de forma incorreta, um avanço importante para pacientes que dependem de diagnósticos precisos para ter acesso a tratamentos mais eficazes.
A pesquisa, que contou com a participação de pesquisadores de 10 países, incluindo o Brasil, teve foco em casos de câncer de mama classificados como HER2-baixo ou HER2-ultrabaixo. Estes representam a maioria dos casos da doença e costumam apresentar baixos níveis da proteína HER2, associada ao crescimento celular, o que dificulta o diagnóstico e pode impedir o acesso a terapias direcionadas.
“Este é o primeiro estudo multinacional a comprovar que a inteligência artificial pode fechar uma lacuna crítica no diagnóstico, identificando com mais precisão pacientes que podem se beneficiar de tratamentos avançados, como os conjugados anticorpo-droga”, explica Marina De Brot, médica patologista do A.C. Camargo Cancer Center e autora principal do estudo.
No Brasil, a expectativa é que a tecnologia traga impactos relevantes, como destaca Daniel Gimenes, oncologista da Oncoclínicas: “Cerca de 55% dos casos de câncer de mama são HER2-baixo e outros 10% são HER2-ultrabaixo. Muitas mulheres deixam de receber terapias direcionadas por conta de classificações equivocadas, e esta tecnologia pode mudar essa realidade.”
Como foi o estudo
Os pesquisadores utilizaram a plataforma digital ComPath Academy, com ferramentas de IA, para analisar 20 amostras digitais de câncer de mama. A sensibilidade do diagnóstico aumentou de 76% para 90%, enquanto a precisão na categorização dos casos subiu de 66,7% para 88,5%. Os casos de HER2-ultrabaixo classificados incorretamente como HER2-nulos caíram de 29,5% para apenas 4%.
“Os resultados são extraordinários. Reduzir drasticamente os casos mal classificados significa que muito mais pacientes poderão ter acesso aos tratamentos certos no momento certo”, avalia Gimenes.
Próximos passos
Os pesquisadores planejam estudos de implementação multicêntrica para incorporar a IA na rotina dos laboratórios, com o objetivo de avaliar os impactos clínicos, o tempo de início de tratamento e as opções terapêuticas para pacientes com câncer de mama HER2-baixo e HER2-ultrabaixo.
Na ACPAC, trabalhamos diariamente para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento de qualidade para os pacientes com câncer. Juntos, seguimos lutando pela vida.
Fonte: CNN
